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PNL: Aumentando sua Concentração.

Todos nós, alguma vez, já estivemos sob pressão. Quando há muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, é difícil se concentrar no que temos que prestar atenção.
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Todos nós, alguma vez, já estivemos sob pressão. Quando há muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, é difícil se concentrar no que temos que prestar atenção. A confusão e a frustração resultantes podem facilmente “transbordar” num berro, numa irritação ou em outros comportamentos que criam ainda mais problemas para serem tratados! Outra expressão para isso é “sobrecarga sensorial”. Por exemplo, quando estou seguindo as informações para chegar a um endereço desconhecido, acho que posso me sair muito melhor se desligar o rádio. Se eu não fizer isso, começo a ter sintomas que são os mesmos daqueles diagnosticados com “TDAH” (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), e fico mais propenso a esquecer de virar numa esquina ou de fazer algum outro erro enquanto
estiver dirigindo.

O problema fundamental com a sobrecarga é que há muita informação a ser processada em um determinado período de tempo. Isso pode ser porque existe muita coisa ocorrendo simultaneamente, ou porque a informação está sendo apresentada numa sequência muito rápida para que possamos processá-la bem. Para lidar eficazmente com a pressão, a primeira coisa a fazer é encontrar uma maneira de reduzir de imediato a sobrecarga sensorial. Essa sobrecarga sensorial tem dois componentes principais. Uma delas é a informação sensorial externa ao nosso entorno no momento, e a outra, é a informação interna do que está acontecendo no nosso corpo e na mente. Vamos examinar primeiro a informação externa.

Reduzindo a informação externa

Existem duas maneiras fundamentais para reduzir a informação externa.

Uma delas é tomar algum tipo de ação prática para reduzir a informação no mundo real, como eu faço ao desligar o rádio quando estou dirigindo para localizar um endereço desconhecido. Você pode pedir que as pessoas fiquem quietas e assim ouvir uma de cada vez, ou pedir que todas fiquem quietas para que você possa se concentrar numa leitura ou num telefonema. Você pode desligar a TV, fechar os olhos para que possa ouvir melhor, deixar de lado uma cena confusa,
etc.

A outra maneira é aprender maneiras internas para se concentrar em certos aspectos da informação externa, e reduzir ou se “desligar” da informação. Embora algumas pessoas sejam mais habilidosas do que outras, todos nós já sabemos como fazer isso em determinados contextos. Eu tinha uma trainer que quando ela estava trabalhando no seu computador, ela automaticamente desligava os sons ao seu redor. Eu sei disso porque houve momentos em que eu tinha “conversas” inteiras com ela, mas ela não tomava conhecimento delas. Aprendi que se eu quisesse que ela realmente percebesse que estava dizendo alguma coisa, primeiro precisava conseguir a atenção dela chamando seu nome ou colocando a minha mão no ombro dela. Às vezes, ela fazia uma pausa, e eu podia perceber ela desviando o foco da atenção do seu trabalho para mim. Normalmente, ela ainda consegue encontrar a memória auditiva de tudo que acabei de dizer, reproduzi-la em sua mente e entendê-la. Se ela não tivesse reforçado a sua atenção naquele momento, o que eu havia dito se perderia no ar.

No começo achei incrível a sua capacidade de ignorar os sons externos, mas ela sempre dizia que isso era algo que havia aprendido ao crescer numa família de três filhos. (Eu era a “única” criança numa família muito mais silenciosa.) Havia sempre muita coisa acontecendo, por isso se ela queria fazer alguma coisa, ela precisava se focar só naquilo e ignorar todo o resto. Muitas pessoas que cresceram em famílias muito barulhentas ou caóticas aprenderam inconscientemente a se “desligar” desses eventos, geralmente sem saber como fazem isso.

Ao recordarmos ou reacessarmos vividamente esse tipo de experiência, podemos perceber que já temos a capacidade de reduzir a informação em certos contextos, e aprender como aplicar essa habilidade em outras situações onde ela seria útil para nós – algo que hipnotizadores competentes estão fazendo há muitos anos.

Se nós examinarmos cuidadosamente essas experiências, às vezes podemos até descobrir exatamente o que fazemos inconscientemente na nossa mente que torna a habilidade possível. Isso pode tornar a habilidade explícita numa forma que possa ser ensinada facilmente para outros.

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Por exemplo, a “visão de túnel” é um problema em muitos contextos, mas também é uma habilidade que pode reduzir a informação visual quando isso for útil. Você pode imaginar um túnel com tudo escuro, através do qual você só pode ver o que estiver focando. Ou você pode fazer um “zoom” no que é relevante, de modo que ele ocupe a maior parte do seu campo visual, sobrepondo-se e obscurecendo outros eventos. Ou você pode desfocar o entorno para que apenas o que você está se ocupando esteja em foco nítido.

Se você quiser reduzir a informação auditiva, você pode se imaginar numa sala transparente e a prova de som, e se quiser ouvir um fonte sonora, pode imaginar existir um microfone direcional e fones de ouvido para que possa fazer isso. Ou poderia imaginar ter orelhas que giram em direções diferentes, como fazem os cavalos. Ou poderia imaginar um campo de força ao seu redor como uma cortina pesada que abafasse o som, porém mais fina na direçâo do som que você deseja acompanhar.

Recentemente eu estava em uma pequena mesa com outras quatro pessoas. Eu estava conversando com as duas pessoas à minha frente, enquanto as outras duas pessoas do meu lado também falavam bem alto, uma com a outra. Descobri que eu tinha uma imagem das duas conversas, como se fossem duas linhas diferentes entre as diferentes pessoas falando. De alguma forma, a visualização dessas duas conversas como “linhas” tornava mais fácil eu acompanhar uma dessas “linhas” e ignorar a outra.

Todos nós também já tivemos momentos em que desconsideramos as sensações cinestésicas. Ao assistirmos um filme cativante, normalmente ignoramos a sensação de onde estamos sentados. Nesse momento, você provavelmente não estava consciente das costas, dos seus joelhos ou dos cotovelos até que eu os mencionei, e aí você presta atenção neles e se torna menos consciente de tudo que estava participando anteriormente. Numa emergência, você pode até estar indiferente à dor causada por ferimentos graves, porque nossa atenção está muito focada em escapar do perigo ou em ajudar alguém.

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Reduzindo a informação interna

Também pode haver muita coisa acontecendo dentro da sua mente durante uma experiência de sobrecarga. Há duas maneiras para reduzir a sobrecarga que quase sempre são úteis, não importa qual é o conteúdo de seus pensamentos. Uma é para abrandar o seu ritmo interno, e permite que eventos se desdobrem de forma mais lenta, para que você tenha mais tempo para processá-los. Você pode fazer isso na modalidade sensorial que seja mais fácil para você. Você pode sentir o ritmo mais lento dos seus movimentos corporais, pode ouvir o som mais devagar ou pode desacelerar as imagens que estão se movendo na sua mente – ou fazer duas ou três dessas opções simultaneamente. Quando os eventos são desacelerados, diminui significativamente a quantidade de informações que você tem que processar e, fica muito mais fácil processá-las do modo mais apropriado.

A outra maneira importante para reduzir a sobrecarga é colocar uma distância entre você e esses eventos mentais. Por exemplo, se você estiver dentro de um filme colorido e brilhante retratando os eventos de que está participando, as suas sensações fortes ocuparão grande parte da sua atenção, e isso tornará mais difícil lidar com os próprios eventos. Quando você permite que tudo isso recue até que esteja a uma distância confortável de você (por exemplo, em uma TV do outro lado da sala), a imagem ficará menor e as suas sensações tornar-se-ão menos intensas, possibilitando que você dê mais atenção ao que precisa ser feito. Você pode rastrear rapidamente o filme e determinar que eventos são relevantes, e quais podem ser ignorados, pelo menos temporariamente. Com isso fica mais fácil se concentrar em um aspecto de cada vez, pois fica mais fácil resolver o problema se o dividirmos em partes menores.

Um cliente que se queixava da pressão “tinha, na realidade, um estúdio na sua mente”. Ele tinha seis filmes simultâneos a cores, cada um com seu som estridente, como se estivessem no interior de uma pequena cúpula planetária dentro de sua mente. Com tudo isso acontecendo internamente, era impossível ele se concentrar em qualquer parte, e ele, no momento, também dava pouca atenção para os eventos externos.

Eu sugeri que, primeiro, ele permitisse que todos os seis filmes desacelerassem um pouco enquanto recuavam para uma distância mais confortável. Quando ele pode ver todos os seis filmes afastados, sugeri que rastreasse todos rapidamente, e decidisse qual era o mais importante para se concentrar no momento.

Então sugeri que esse filme poderia de algum modo ficar um pouco mais perto dele para que pudesse vê-lo de forma mais clara, enquanto os outros cinco se tornavam mudos, transformados de filmes coloridos em imagens estáticas em preto e branco. Essas imagens em preto e branco se tornavam ícones que indicavam o conteúdo geral desses outros filmes, servindo como um lembrete, de modo que ele pudesse retornar facilmente a qualquer um deles, quando isso fosse conveniente.

Atribuição de prioridades

O exemplo anterior incluiu uma forma de atribuir prioridades, para que o excesso de eventos simultâneos pudesse ser sequenciado e você pudesse se concentrar em uma coisa de cada vez. Uma das maneiras mais simples de se fazer isso é anotar em um pedaço de papel uma ou duas palavras para indicar cada uma das coisas que estão na sua mente. Colocando-as todas no papel nos assegura que nada será deixado de fora, permitindo que elas saiam da sua mente para o papel, e determinando uma distância entre você e elas. Isso torna muito mais fácil você verificar rapidamente a lista e decidir que item necessita de atenção em primeiro lugar. Algumas pessoas também gostam de decidir qual o item que vão se ocupar depois, e outros usam uma nova folha de papel para anotar todos os itens em uma nova ordem que indica a sequência em que você se irá se preocupar com eles. Isso é muito bom, contanto que a nova lista seja flexível e permita elaborar novas sequências quando isso fizer melhor sentido.

Disposição emocional ou o estado da sensação

Finalmente, considere a disposição emocional ou o estado da sensação em que você se encontra por causa de outros fatores não resultantes da sobrecarga em si. Se você estiver cansado no final do dia, se estiver aborrecido ou sem recursos, isso será uma informação adicional de distração interna, demandando parte da sua atenção e reduzindo a atenção que está disponível para o desafio que você está enfrentando. Você pode se poupar de muita frustração se fizer primeiro algo para mudar o seu estado ou esperar até se sentir com mais recursos. Alguns eventos realmente precisam ser cuidados de imediato, mas a maioria dos desafios que um problema nos traz pode ser facilmente adiado por um dia ou dois para quando nos sentirmos mais alerta e capacitados.

Por exemplo: ontem a noite eu repassei esse artigo várias vezes, e queria repassá-lo pelo menos mais uma vez. Mas nessa hora a minha mente já estava um pouco esgotada, e eu sabia que não ia conseguir me concentrar. Então esperei hoje de manhã quando poderia lê-lo com a mente fresca.

O que você pode fazer para mudar o seu estado de uma forma útil quando estiver pressionado? Muitas vezes é tão simples como fazer uma pausa para esticar o corpo, um passeio, olhar para algo bonito, sentir gratidão por algo em sua vida, etc. Em outras ocasiões, o estado da sua sensação pode estar tão forte e duradouro que você precisa fazer alguma coisa a mais para mudá-lo. Poucas horas fazendo algo que você adora pode fazer maravilhas para o seu estado e a sua eficiência, como se envolver com exercícios físicos vigorosos para limpar todas as suas químicas corporais responsáveis em parte por você se sentir mal.

Uma noite bem dormida pode melhorar imensamente a sua disposição. Se eu estiver cansado no final do dia, uma tarefa pode parecer avassaladora, mas na manhã seguinte eu posso ver claramente o que fazer e fazê-la rápida e facilmente. Outras pessoas relatam que elas funcionam melhor à noite, o que sempre me pareceu muito estranho, porque eu sou definitivamente uma “pessoa matutina”. Se você verificar as memórias do passado, pode descobrir muitos exemplos da importância de mudar o seu estado. Se você estudar esses exemplos, pode aprender o que você fez para isso acontecer. Depois pode usar essas informações para descobrir o que funciona melhor com você e aplicar isso para o presente e o futuro, transformando a visão retrospectiva em previsão.

Resumo

Assim, da próxima vez que você experimentar uma pressão, faça uma pausa para descobrir como reduzir o fluxo de informação de modo que você possa lidar, de uma maneira eficiente, com o que é mais importante para você. Os aspectos principais são reduzir a informação externa, reduzir a informação interna, atribuir prioridades e ter certeza de que você está com recursos para mudar a sua disposição ou o estado da sensação. Pode ser muito útil, às vezes, ensinar essas habilidades para pessoas que foram diagnosticadas com DDA (Distúrbio de Déficit de Atenção) ou TDAH ou para alguém que tenha dificuldades em lidar com a pressão.

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